Memórias de um Açougueiro
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Perdido
Hoje eu só queria dormir em paz... Fechar os olhos e não ver fantasmas. Lembrança, lembrança, lembrança... Mora e ingênua, lembrança. Pequenas e profundas, lembrança. Dias desleais passem logo.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
A linha que corta a página me divide em dois, me divide o raciocínio que deveria ser continuo, que deveria ser meu, mas que está em uma página que ainda não li de um livro que não conheço, de um poeta que não existe. Talvez, a volta para a casa, andando pelas ruas que eu acho que conheço me levam para o lugar onde eu não quero estar, mas sei que devo estar, que não suporto, mas sei que preciso. A música que escuto enquanto caminho me leva, me guia, me faz sonhar com o que eu quero, mas sei que não existe. Talvez a felicidade que busco esteja engarrafada e perdida em um mar que só existe em mim, tão vasto, tão grande, tão meu, tão inalcançável, e assim continuo perdido entre ruas que não me levam a lugar nenhum, entre ondas que me jogam contra pedras. Talvez eu esteja naufragado e não saiba, mas quem saberá além de mim? Talvez, a poesia esteja no silêncio que eu não conheço, mas sei que existe, talvez tudo que eu entenda seja um reflexo de mim, um reflexo desconhecido, mas sei que é meu. Quem sabe minha loucura seja perdoável, quem sabe eu esteja de volta ao acordar.
Assim sou eu, quando às vezes me alcanço
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
um dois três quatro
Bom dia,
flor do dia
Começou de novo, acabou, começou
Olha como eu caio
Como dominó
em moldes bonitos
Enfio os dedos no bolo
Sinto cócegas, cócegas, cócegas
É o que se sente agora
O que deve se sentir, o que deve se sentir
Razoável e sensível
Morto até o pesçoco
Porque eu estou estufado, estufado, estufado
Achamos que estava com você
Mas não, não, não
Sem razão alguma
Aperte os tubos e esvazie as garrafas
E curve-se, curve-se, curve-se
É o que se sente agora
O que deve se sentir
O que deve se sentir
O elefante na sala
Estrondoso, estrondoso, estrondoso
Em duplicatas, triplicatas
E sacos plásticos,
Duplicatas, triplicatas
Morto até o pesçoco
Estufado, estufado, estufado
Achamos que estava com você
Mas não, não, não
Aonde você quiser parar
Já basta, já basta
Eu te amo mas já basta, já basta
Ponto final
Não há razão alguma
Sua cabeça cheia de plumas
Derretida como manteiga
* Fausto é o personagem de uma lenda alemã revitalizada por muitos artistas, como o escritor Goethe. Fausto deixou sua ambição e sua cobiça o levarem a ruína (através de um pacto com o diabo). Dizer que algo é "Faustiano" evoca o excesso que leva à destruição.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Primeiro Dia
Acho que é constante, irreversível, como o vento que descreve um caminho pelo jardim do fundo e em meio a sua dança arranca parte por parte toda a beleza de um “dente de leão”. E mesmo que eu saiba observar o fim da linha o impacto contra a parede sempre causa medo... “parede”... É engraçado como ela sempre vai estar lá, parada, fria, esperando com os mesmos tijolos que alguém a quebre, pra ser reconstruída e quebrada nesse ciclo clichê que estou cansado de olhar e de tão cansado de ver esqueço... “esquecer”... me lembro de ler essa frase algum dia: “viver é esquecer.” Se admitir isso como verdade por alguns segundos terei que esquecer os tijolos, depois a parede, depois o medo do impacto, depois o vento, depois de mim, depois você. Acho que é constante, irreversível, como o vento que descreve um caminho pelo jardim do fundo e em meio a sua dança arranca parte por parte toda a beleza de um “dente de leão”. É, talvez viver seja esquecer...
Assinar:
Comentários (Atom)